Museu do Burro, Ladoeiro, Idanha-a-Nova

Centro de Interpretação de Práticas Agrícolas Tradicionais da Quinta do Carvoeiro

18.10.06

homenagem a cesário verde

homenagem a cesário verde

Aos pés do burro que olhava para o mar
depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um último cigarro
um feijão branco em sangue e rolas cozidas

Pouco depois cada qual procurou
com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Cesário Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!

Mário Cesariny

7.9.06

Do Livro de Cesário Verde


DE TARDE

Naquele pique-nique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!


1887

31.8.06

O Milagre da Mula. Cantigas de Santa Maria (228), Afonso X, o Sábio.



Esta cantiga conta o milagre de uma mula que sofria de gota e tinha as patas retorcidas. Seu proprietário, condoído pelas dores, ordenou ao seu criado que a matasse, para que assim deixasse o pobre animal de padecer.


"Como un ome bõo avia un muu tolleito de todo-los pees, e o ome bõo mandava-o esfolar a un seu mancebo, e mentre que o mancebo se guisava, levantou-[s]' o muu são e foi pera a eigreja. .


Tant' é grand' a sa mercee da Virgen e sa bondade, que ssequer nas be[s]chas mudas demostra sa piadade.


E desto fez en Terena a Virgen Santa Maria gran miragre por un ome que un seu muu avia tolleito d'ambo los pees que atras tortos tragia, que sãou por sa vertude; e poren ben m' ascoitade:


Tant' é grand' a sa mercee da Virgen e sa bondade...


Este mal a aquel muu per gran door lle vera de gota que aas pernas e aos pees ouvera; e porende no estabro un mui gran tenpo jouvera que sol andar non podia, esto vos dig' en verdade.


Tant' é grand' a sa mercee da Virgen e sa bondade...


Quand' aquesto viu seu dono, atan muito lle pesava que por delivrar-sse dele log' esfolar-o mandava a un seu om'. E enquanto o manceb' ant'emorçava, foi-ss' o muu levantando con sua enfermidade


Tant' é grand' a sa mercee da Virgen e sa bondade...


E sayu passo da casa e foi contra a eigreja, indo fraqu' e mui canssado; mas a que beita seja, tanto que foi preto dela, fez maravilla sobeja, ca o fezo logo são, sen door e sen maldade.


Tant' é grand' a sa mercee da Virgen e sa bondade...


O manceb', a que seu dono ja esfolar-o mandara, poi-lo non viu, foi pos ele per aly per u passara, e viu-o par da eigreja, mas non tal qual o leixara; e foi en maravillado e diss' à gent': «Uviade


Tant' é grand' a sa mercee da Virgen e sa bondade...


E veredes maravilla estranna con gran proveito deste muu que ant' era d' ambo-los pees tolleito, como o vej' ora são andar e muit' escorreito; e vejamos sse é esse, e comigo o catade.»

Tant' é grand' a sa mercee da Virgen e sa bondade...


E logo foron vee-lo todos quantos y estavan, e adur o connoscian, pero o muito catavan, senon pola coor dele en que sse ben acordavan; mas sacó-os desta dulta a Virgen por caridade.


Tant' é grand' a sa mercee da Virgen e sa bondade...


Que aly u o catavan andou ele muit' aga tres vegadas a eigreja da Virgen Santa Rea a derredor; e a gente, que lle ben mentes tia, virono como entrou dentro, mostrando grand' omildade.


Tant' é grand' a sa mercee da Virgen e sa bondade...


E ben ant' o altar logo ouv' os gollos ficados, e pois foi-ss' a cas seu dono, onde mui maravillados eran quantos y estavan; e muitos loores dados foron a Santa Maria, comprida de santidade.


Tant' é grand' a sa mercee da Virgen e sa bondade..."

30.8.06

Burra Malia procura lar


“Sou a burra Malia e tenho 14 anos. Fui vitima de sevícias sexuais até ser acolhida por amigos da Associação Terras da Raia, que me trataram e me acarinharam. No entanto, agora procuro alguém que me queira receber, porque, infelizmente, os meus amigos não tem condições para isso.
Preciso de atenção, de repouso e de um espaço aberto, onde tenha erva e pasto em abundancia.”

21.6.06

Passeio equestre


Cruzar o rio Ponsul e descobrir a Várzea de Idanha, eis o conceito que esteve na origem da realização do passeio equestre da XIII Feira Raiana de Idanha-a-Nova.
Percurso de 16 km, cuja primeira metade consiste na descida da elevação onde se ergue a vila de Idanha-a-Nova, por entre barrocais e penedias, com direcção às várzeas do Ponsul. Nas margens do rio terá depois lugar um pequeno descanso, aproveitando-se a ocasião para um pequeno-almoço tradicional.
Nova viagem, acompanhando o rio, com a perspectiva de Idanha no horizonte, primeiro pela várzea e depois pelo vale sinuoso do Ponsul, com direcção à calçada primitiva que conduz a Idanha, onde termina a jornada, com um almoço no recinto da Feira Raiana.
Dia 2 de Julho. Partida do recinto da Feira Raiana pelas 9.00horas.

13.6.06

burro e carroça com feno e couves



Na freguesia de Monsanto o burro ainda desempenha um papel importante nos trabalhos agrícolas da população.

31.5.06

Feira da Badana


Teve ontem lugar, como acontece anualmente no dia 30 de Maio, a Feira da Badana do Rosmaninhal.
Trata-se de um tradicional mercado de gado lanígero, originalmente vocacionado para a transacção de ovelhas adultas, designadas aí de badanas .
Por circunstâncias da alteração do contexto da exploração e comércio tradicional de ovinos, a Feira da Badana perdeu a importância de outrora, quando era considerada das mais significativas do género em Portugal, tendo igualmente nomeada pela diversidade de gado que reunia, desde asininos a muares, espécies cuja ausência se notou na edição deste ano.
Não obstante o relativo declínio da importância da Feira da Badana, do ponto de vista económico da transacção ganadeira, este dia continua a assinalar, em particular no calendário dos rosmaninheiros, mas, de um modo geral, em todo o concelho de Idanha-a-Nova, um marco com alguma importância social.