Museu do Burro, Ladoeiro, Idanha-a-Nova

Centro de Interpretação de Práticas Agrícolas Tradicionais da Quinta do Carvoeiro

31.5.06

Feira da Badana


Teve ontem lugar, como acontece anualmente no dia 30 de Maio, a Feira da Badana do Rosmaninhal.
Trata-se de um tradicional mercado de gado lanígero, originalmente vocacionado para a transacção de ovelhas adultas, designadas aí de badanas .
Por circunstâncias da alteração do contexto da exploração e comércio tradicional de ovinos, a Feira da Badana perdeu a importância de outrora, quando era considerada das mais significativas do género em Portugal, tendo igualmente nomeada pela diversidade de gado que reunia, desde asininos a muares, espécies cuja ausência se notou na edição deste ano.
Não obstante o relativo declínio da importância da Feira da Badana, do ponto de vista económico da transacção ganadeira, este dia continua a assinalar, em particular no calendário dos rosmaninheiros, mas, de um modo geral, em todo o concelho de Idanha-a-Nova, um marco com alguma importância social.

24.5.06

A Tosquia


A Tosquia das bestas: uma tradição em Idanha-a-Nova


Com a chegada do tempo quente procede-se à tosquia das bestas. Esta operação traduz-se em algumas vantagens para os animais, ajudando-os a se libertarem mais rapidamente da pelagem de inverno, evitando também a proliferação de parasitas cutâneos e as peladas originadas pelo constante coçar das comichões que os mesmos provocam. Da mesma forma, é eliminada a caspa e outras partículas acumuladas por entre a pelagem densa e espessa característica dos burros e dos muares, tornando assim mais fácil a respiração da pele. Tudo isto se reflecte no maior bem-estar do animal e também numa aparência física mais leve e airosa, para alem de que desta forma as bestas suportam mais facilmente as elevadas temperaturas estivais.
Tradicionalmente a operação da tosquia é realizada por ciganos. No concelho de Idanha-a-Nova são já poucos aqueles que se dedicam a esta arte e os que o fazem admitem que se trata mais de manter a tradição herdada dos seus pais e avós e porque gostam de lidar com o gado e porque têm já os seus clientes habituais que não desejam defraudar. As gerações mais novas recusam-se a fazer tosquias e desta forma é de crer que o ofício de tosquiador tradicional de burros desapareça dentro de poucos anos.
Aliada à tosquia tradicional das bestas está a arte das rabagens, que consiste em fazer alguns desenhos na garupa e na cola dos animais. Outrora, eram realizadas rabagens verdadeiramente artísticas, motivo de orgulho dos seus executores e dos donos das bestas que as possuíam, existindo diferentes tipos de desenhos que identificavam o artista que havia executado a tosquia.
O mestre tosquiador cigano Romão, da Freguesia de Zebreira, filho e neto de Romões tosquiadores, tem actualmente três desenhos identificativos: um M ao contrário, como o mesmo o define; um peixe; e um ramo de oliveira.
A tosquia de uma animal demora em média trinta minutos e, embora sendo uma operação relativamente fácil, alguns animais exigem um especial cuidado, pois tornam-se agressivos durante a tosquia, sendo por vezes necessário recorrer á utilização de peias nos membros posteriores, mas, de um modo geral, um aceal colocado no beiço superior é suficiente para os imobilizar.
Paralelamente à tosquia das bestas, inicia-se agora igualmente a das ovelhas, que se prolongará até à entrada do Verão. Neste caso, equipas de vários tosquiadores fazem frente a rebanhos imensos, quer por vezes ascendem a milhares de animais. Ao contrario dos tosquiadores de bestas, os tosquiadores ovelhas são em maior número no concelho, e tem havido inclusivamente alguns cursos de aprendizagem de tosquia, uma vez que a criação de gado lanígero ainda é um dos elementos predominante da actividade económica do concelho de Idanha-a-Nova.